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A forma desejável dos dentes e a linha do sorriso (posição dos dentes), não obedecem a padrões, porém dependem de cada paciente. Possibilitam inúmeras combinações. Shigeo Kataoka
Em “Equilibrium: cerâmicas adesivas case book”, conceitos de estética e percepção, preparos dentários com o máximo de preservação da estrutura dentária (mínimo que é o máximo) e biomecânica “tooth like”, conjugam-se na resolução de diferentes situações clínicas. Casos clínicos elaborados em parceria com grandes ceramistas: Shigeo Kataoka (Japão), Gerald Ubassy (França), August Bruguera (Espanha), José Carlos Romanini (Brasil) e Marcos Celestrino (Brasil), são apresentados passo a passo, em detalhes e ricamente ilustrados.
Minha idéia era escrever um livro para enaltecer a contemplação do belo por meio do isntinto natural impresso em nossa evolução sesorial - impresso tanto no cérebro como no coração. Comecei a escrevê-lo antes de ter terminado meu primeiro livro (invisível - Restaurações Estéticas Cerâmicas), num momento em que idéias fervilham em minha cabeça. Infelizmente, minha capacidade de gerar e gerir idéias é bastante limitada. Assim, antes de provocar um blecaute, eu a arquivei até o momento oportuno, mesmo porque, não acho que estivesse suficientemente maduro para escrever seriamente sobre o assunto. Hoje, não sei se me sinto melhor, talvez me sinta incomodado, e algo me impele a escrever novamente.
Propor um ensaio sobre o instinto e a percepção natural para definir o equilíbrio e a harmonia em arranjos dentários parece ser um retrocesso nos estudos dos fundamentos de estética. Num momento em que a padronização e a protocolização indicam o norte, buscar a estética por meio da percepção parece um tanto quanto contraditório. Agora, embora pareça um paradoxo, garanto que existe um raciocínio lógico em utilizar a nossa percepção instintiva na busca de arranjos dentários mais "adequados" esteticamente. Em verdade, a intenção é buscar um empreendimento cooperativo em conjunto com os "padrões" determinados pelos fundamentos de estética aplicados em odontologia.
Afinal, determinadas "convenções estéticas" têm levado alguns clínicos e técnicos em prótese dentária a vícios de composição, caracterizando seus trabalhos sempre na mesma perspectiva, descritos a partir de estudos de medidas comparativas, quase matemáticas. Não conseguem mais observar o singular, ajustando visualmente tudo - e todos - a seu esquema pré-estabelecido.
Mas, afinal, a percepção estética pode ser aprendida? Essa é uma pergunta sensata e, por mais vezes que me tenha sido feita, nunca sei realmente o que responder. Para mim, o real significado dessa pergunta é "pode o instinto ser aprendido"? - se, realmente, esse for o significado, então, a resposta é não. Talvez seja essa a razão por que a pergunta é tantas vezes formulada num tom cético. O instinto é algo inato, não é ensinado, não é aprendido. A verdadeira percepção estética é instintiva. Nascemos com ela, morremos com ela. Desde o início, quando ainda bebês, ensaiando os primeiros passos de consciência, ela floresce. Num passe de mágica, a preferência pela beleza está posta, sem a necessidade de ensinar à criança o que é belo e o que é feio. Depois, ao londo de nossa história e de experiências culturais, "conceitos estéticos" vão sendo aprendidos (ou seriam apreendidos?), formando a cada gosto o rosto da beleza - diversidade que leva à opnião. Entretanto, independente do padrão adquirido, ainda sim, sempre o valor da primeira impressão - aquela mais instintiva - insiste em dar seu parecer, antes que padrões de análise sejam realizados. Deixar fluir essa percepção, para descobrir onde está o ponto de equilíbrio/desequilíbrio, é simplesmente natural, é criar a beleza além da razão.
Sidney Kina
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